sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

V Exame da OAB (jan-2012): Resultados das 50 faculdades mais bem avaliadas


Com certa “dança de cadeiras” entre as faculdades mais bem posicionadas, o último Ranking do Exame da OAB confirma uma vez mais a pouca presença de escolas paulistas entre as cinqüenta melhores. Desta vez, somente a USP de São Paulo, o Mackenzie e a UNESP de Franca estiveram no grupo, com 72,06%, 60,03% e 56.52% de inscritos presentes aprovados, respectivamente.
Como o ranking divulgado só considera os bacharéis e a FDRP ainda não tem turma formada, a escola de Ribeirão ainda não está sendo avaliada.

De maneira geral, houve poucas mudanças no rol, com predomínio absoluto das faculdades federais e estaduais. Em São Paulo, a São Francisco caiu algumas posições, aparecendo em 8º lugar nessa última prova, já corrigido o equívoco presente no indevido registro duplo da faculdade paulistana na lista da OAB por um erro de digitação. Por conta deste equívoco, a escola aparecia duas vezes no ranking, nas 6º e na 16º colocações. O Mackenzie aparece agora na 34ª posição e a UNESP de Franca aparece agora na 43º colocação.

As outras escolas paulistas normalmente bem reputadas (PUC-SP, FACAMP, PUCCAMP e ITE) não apareceram na lista das mais bem colocadas do Brasil.

Segue abaixo a lista com as 50 instituições com melhor desempenho no último exame da OAB:

Rk
UF
INSTITUIÇÃO DE ENSINO
% Aprovados
ES
Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
80.60%
PE
Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
78.57%
MG
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
77.89%
CE
Universidade Federal do Ceará - UFC
77.05%
MG
Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF
76.12%
RS
Universidade Federal de Pelotas - UFPel
74.67%
BA
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB
73.81%
SP
Universidade de São Paulo - USP
72,06%
PR
Universidade Federal do Paraná - UFPR
71.64%
10º
SC
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
70.51%
11º
MG
Fundação Universidade Federal de Viçosa - UFV
69.57%
12º
RS
Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURG
69.44%
13º
BA
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
69.23%
14º
BA
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
69.23%
15º
RN
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
68.75%
16º
BA
Universidade Federal da Bahia - UFBA
68.14%
17º
MG
Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES
66.67%
18º
PB
Universidade Federal da Paraíba - UFPB
66.67%
19º
MS
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS
66.18%
20º
RS
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
66.13%
21º
RJ
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
65.16%
22º
BA
Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS
64.86%
23º
MG
Universidade Federal de Uberlândia - UFU
64.52%
24º
SE
Universidade Federal de Sergipe - UFS
64.10%
25º
PI
Universidade Estadual do Piauí - UESPI
64.00%
26º
PI
Universidade Federal do Piauí - UFPI
63.41%
27º
RJ
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
63.05%
28º
RS
Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
62.96%
29º
RR
Universidade Federal de Roraima - UFRR
62.50%
30º
GO
Universidade Federal de Goiás - UFG
62.07%
31º
RN
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN
61.54%
32º
ES
Faculdades Integradas de Vitória - FDV
60.99%
33º
PR
Universidade Estadual de Londrina - UEL
60.87%
34º
SP
Universidade Presbiteriana Mackenzie - MACKENZIE
60.03%
35º
BA
Universidade Salvador - UNIFACS
59.52%
36º
DF
Universidade de Brasília - UnB
59.26%
37º
AC
Universidade Federal do Acre - UFAC
59.09%
38º
BA
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
59.09%
39º
BA
Faculdade Ruy Barbosa de Administração e de Direito - FRB
58.72%
40º
RJ
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio
58.70%
41º
RJ
Universidade Federal Fluminense - UFF
58.27%
42º
MG
Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP
56.67%
43º
SP
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP
56.52%
44º
PR
Universidade Estadual de Maringá - UEM
55.68%
45º
MG
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas
55.05%
46º
BA
Universidade do Estado da Bahia - UNEB
55.00%
47º
PR
Universidade Estadual de Londrina - UEL
54.92%
48º
RJ
Escola de Direito do Rio de Janeiro - FGV
54.35%
49º
TO
Fundação Universidade Federal do Tocantins - UFT
52.63%

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Direito, economia e contabilidade: Uma fusão irreversível nas escolas de direito da Ivy League norte-americana


Alguns trechos do artigo da professora de Yale, defendendo maior número de disciplinas de economia e contabilidade no currículo das melhores faculdades de direito dos EUA.

Atualmente, a professora defende um paradigma teórico calcado em estudos empíricos para  os currículos das instituições de pesquisa na área de direito.

Obs: A proposta da referida professora influenciou a criação, em Yale, do programa de dupla graduação em direito e em contabilidade (JD em direito e PhD em contabilidade), contribuindo para o que se costumou denominar de "Revolução do Direito Privado".

___________________________________________________________________

Trechos de "After the Revolution in Corporate Law", publicado no periódico "Journal of Legal Education", nº 357, 2005.

Roberta Romano, Yale Law School

“As I hope is evident […], the transformation in legal scholarship and practice created a need for technical proficiency on the part of business lawyers and teachers. With regard to the future, the level of technical proficiency in finance and economics will surely only be greater than present-day requirements.

[...]

The state of education for students seeking to pursue a career in business law teaching is, in my judgment, as troubling as that for those planning to enter business law practice. Paralleling the need to innovate upon existing JD-MBA programs, I believe that a new curricular initiative between law and management schools is essential to train business law teachers, a joint JD-PhD in finance. A law and finance PhD degree program […] should be especially useful for an empirical research agenda, which is where corporate law scholarship has moved over the last two decades”.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Trabalho Interno: A influência do cinema sobre as normas que regem a atividade docente na prestigiosa Universidade Columbia


Columbia Toughens Faculty Conflict Rules
Oliver Staley - 22/09/2011
Columbia University plans to release next week more stringent disclosure rules for faculty who advise Wall Street and other industries that include posting outside professional activities online.
Professors who teach undergraduates will also need to inform deans about their time commitments outside the university, Michael Riordan, chairman of the economics department, said this week. The university’s law and business schools ratified similar guidelines in April and May.
Ties between the financial world and academia have been scrutinized since the release of “Inside Job,” a film that won the Academy Award for best documentary in February. Columbia Business School Dean Glenn Hubbard and finance professor Frederic Mishkin were portrayed offering their expertise without revealing they were paid by interested parties. While Columbia adopted universitywide ethics policies in 2009, professors said the movie spurred them to look at how they could be sharpened.
“’Inside Job’ has brought the subject to the fore,’’ Riordan said in an interview. “I don’t think it uncovered a serious problem in the profession but to the extent it has prompted a debate and caused people to think more carefully, that’s all for the good.”

$124,000 From Iceland
The policy and planning committee of the Faculty of Arts & Sciences, the professors who teach courses in subjects such as economics, history and biology, approved a draft of the new rules Sept. 20, said Riordan, who headed a subcommittee that wrote the guidelines. They were sent to Nicholas Dirks, the executive vice president for arts and sciences, who may enact the rules next week, Riordan said.
The film asserts that Columbia professor Mishkin wrote a positive paper about Iceland’s economy in 2006 after receiving $124,000 from that country’s chamber of commerce. Mishkin didn’t disclose the payment in the paper, according to the film. In 2008, Iceland’s banking industry collapsed, defaulting on $85 billion and sending its currency down 80 percent against the euro.
Under the 2009 universitywide rules, Mishkin would have had to reveal the financial connection in the paper, said Gita Johar, senior vice dean at the business school. The new business school rules would also require him to post them in his online resume.
Mishkin didn’t respond to a request for comment.

Policy Reviews
Some professors at Harvard University in Cambridge, Massachusetts, and Harvard Business School were also criticized in “Inside Job.” Harvard adopted a universitywide policy in 2010 and all its individual schools will draft specific guidelines for their professors by the end of the 2011-2012 academic year, said B.D. Colen, a Harvard spokesman.
Columbia’s faculty committee looked at standards set by other colleges including Cambridge-based Massachusetts Institute of Technology, Riordan said.
The Columbia Business School rules, approved by the faculty in May, also require professors to list outside activities on their online resumes and to notify the dean’s office about them and how much time they require. Professors must also adhere to 2009 guidelines that require them to disclose in publications if they have financial ties that relate to their research.
While the business school’s rules weren’t motivated solely by the film, it made their adoption more urgent, Johar said.

‘Classroom Conversations’
“The financial crisis and ‘Inside Job’ were definitely in the background and made the issue more salient,” Johar said. “The school has been trying to address these issues since 2009, long before ‘Inside Job’ came up in classroom conversations with students.”
Columbia Law School adopted rules in April prompted by “Inside Job,” said Harvey Goldschmid, a law professor and former member of the U.S. Securities and Exchange Commission, who co-chaired the committee that drafted the policy.
“Inside Job and other things have spurred that type of sensitivity to financial disclosure,” Goldschmid said. “It’s just good sense to respond. There is generally a greater distrust of institutions, including academic, in society. Certainly the movie did spur some reactions and I think they are healthy.”
“Inside Job” also depicted Hubbard, the Columbia business dean and former White House economic adviser under George W. Bush, getting angry when asked about his consulting clients. The film noted that he was paid $250,000 annually to serve on the board of MetLife Inc. (MET) and consulted for other financial firms. It also described a 2004 paper Hubbard co-wrote with William Dudley, then the chief economist for Goldman Sachs Group Inc. (GS), praising credit derivatives.

Income Sources
In an e-mailed statement, Hubbard said he has always disclosed his outside activities and sources of income.
Posting outside interests online allows the public to make their own judgments about professors’ biases, Johar said.
“If faculty are quoted in the press or when you are interviewed, it’s about your research, but all those disclaimers and disclosures aren’t part of their public press presence,” Johar said.
Columbia’s policies also need to require professors to mention if they have a financial connection when testifying before Congress or governmental agencies, said Charles Ferguson, the director of “Inside Job.”
“Very full disclosure should be required and the new policies don’t go far enough,” Ferguson said in a phone interview. “But they are a step forward.”
Riordan said that such connections would have to be disclosed in any written testimony submitted to Congress.
Ferguson said professors should also disclose how much they are paid by outside sources. In some cases -- such as being paid to testify before Congress -- outside compensation should be banned, he said.
The business school considered and rejected requiring faculty to inform the dean about how much they received from outside sources, Johar said.

“It’s pretty intrusive,” Johar said. “There’s a limit to what you can require without getting into privacy issues.”


Esse texto está disponível em 
http://www.bloomberg.com/news/2011-09-22/columbia-toughens-conflict-rules-after-inside-job-revelations.html

Desenvolvimento e ciências humanas


Por Marcio Pochmann, presidente do IPEA

O Renascentismo Europeu, ao final do século XIV, inaugurou uma nova fase de entendimentos acerca da natureza do homem e do funcionamento do mundo, o que concedeu às ciências humanas um valor estratégico substancial. Por meio de um conjunto filosófico comum e acompanhado do método de aprendizado fundamentado na razão e evidência empírica, as humanidades terminaram por subverter a perspectiva espiritualista predominante até então no mundo medieval.
Com o desafio estabelecido de compreender a realidade em sua totalidade, floresceram as universidades e a pesquisa comprometidas com o papel central de organização, produção e difusão técnico-científico de caráter universal. Concomitantemente às revoluções industriais dos séculos XVIII e XIX, as ciências, sobretudo as aplicadas, foram incorporadas às exigências do padrão de desenvolvimento urbano-industrial. Ou seja, foram incorporadas à vida nas cidades, uma vida constituída pela materialidade do consumismo decorrente da produção de bens e serviços em escala cada vez mais global.
Para isso, a partilha do conhecimento em múltiplas especializações se fez crescente, gerando fragmentação do ensino e pesquisa compatível com os requisitos de maior produtividade técnico-científica exigidos por distintos setores de atividade econômica. A aplicação recorrente do conhecimento técnico-científico à produção material de bens e serviços modernos tornou possível agregar valor ao processo de acumulação de capital e impor progresso material inimaginável às sociedades urbano-industriais.
A perspectiva de crescente especialização da produção técnico-científica, que até então se encontrava encastelada em contidos centros de pesquisas, possibilitou a emergência de novos laboratórios e investimentos em pesquisa inseridos nos plano de negócios empresariais. Assim, a associação entre diversos centros difusores das ciências humanas - públicos e privados - fortaleceu gradualmente a crença de que a mercantilização do trabalho imaterial deveria atender às exigências do padrão de desenvolvimento urbano-industrial.
Tudo isso, contudo, não deixou de produzir colateralmente o esvaziamento de uma unidade filosófica comum que concedia às ciências humanas o valor estratégico no entendimento totalizante da realidade do mundo e do homem. Certa cegueira situacional passou a acompanhar o desenvolvimento fragmentado das ciências humanas, com inegáveis graus de alienação na produção do conhecimento.
Tanto assim que a partir dos últimos 25 anos do século XX, a produção do conhecimento, anteriormente centrado nas universidades tradicionais, foi sendo substituída pelas chamadas universidades corporativas, responsáveis por funções como a formação de quadros e capacitação permanentes dos trabalhadores nas grandes empresas. Nos dias de hoje, somente as 500 maiores corporações transnacionais respondem por cerca de 4/5 de toda a produção global de investimentos em ciência e tecnologia. Em vários países do mundo, a quantidade de universidades corporativas supera as universidades tradicionais.
A reação radicalizada do sistema universitário tradicional foi o de se comprometer com a maior elevação da produtividade nas ciências, especialmente por meio do aprofundamento das especializações, o que a dispensou de vez de qualquer compromisso com a existência de algum corpo filosófico integrador do entendimento acerca do homem e do mundo. Por conta disso, currículos foram simplificados e esvaziados da identidade comum, enquanto as ciências humanas seguiram aprendizagem desinteressante e descomprometida da referência e aplicação prática na realidade.
No mesmo sentido, as agências públicas de financiamento da pesquisa concentraram-se no fomento setorial e individualizado da produção do conhecimento comprometido fundamentalmente com a perspectiva de elevação da produtividade sistêmica das ciências humanas. Apostaram-se também na competição inter e intrauniversitária movida pelo uso de tecnologias das competências, o que rompeu com a fronteira nacional dos conteúdos curriculares. De caráter cada vez mais internacionalizado, as medidas nacionais de avaliação e monitoramento do ensino e pesquisa subordinam-se à coordenação exógena e descolada dos interesses nacionais. Tanto assim que não tem sido incomum conceder à produção técnico-científica valorização superior com publicação externa e descontextualizada do que aquela comprometida com as exigências da realidade nacional.
Esse modelo internalizado nos países não-desenvolvidos não reduziu o fosso que separa a produção técnico-científica das exigências associadas ao setor produtivo. Da mesma forma, o movimento de internacionalização do parque produtivo tornou mais interessante a importação da tecnologia dominante na mesma medida em que empresas multinacionais realizam concentradamente em suas matrizes os maiores esforços de desenvolvimento da pesquisa em ciência e tecnologia. É isso que faz com que somente 10% dos 11 mil doutores formados anualmente no Brasil possam se estabelecer nos centros de pesquisa vinculados ao setor produtivo, bem ao contrário de outros países.
A recuperação da unidade filosófica comum nas ciências humanas e o seu engajamento no entendimento do mundo e do homem atual constituem peças fundamentais de uma estratégia de superação do atraso subdesenvolvimentista. Do contrário, produção do conhecimento e exigências do padrão de desenvolvimento poderão continuar a andar em sentido distinto.

Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor licenciado do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE-Unicamp).

Valor: Congresso e STF ampliam debate sobre limites


Caio Junqueira e Juliano Basile

O Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) devem ampliar em 2012 a discussão sobre os limites de cada Poder e até onde cada um deve interferir sobre a atuação de outro. Isso virá à tona não só no debate sobre os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em que parte do Judiciário deseja impor limites ao órgão enquanto o Legislativo é amplamente favorável à sua liberdade de atuação. Também serão expostas as divergências quanto à falta de cumprimento pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal das determinações feitas pelo Supremo para que aprovem determinadas leis de sua exclusiva competência.
Ministros do STF estudam aprofundar os mecanismos de controle de suas decisões para evitar que o Congresso protele determinações da Corte. "Hoje, é preciso dar mais eficácia à decisão que se toma", afirmou ao Valor o ministro Gilmar Mendes. "Temos que assentar questões quanto à súmula vinculante e às reclamações", completou, referindo-se a dois mecanismos que fazem com que as decisões do STF sejam cumpridas por todos os tribunais do país.
Entre as decisões que ainda não foram cumpridas está a forma de divisão de mais de R$ 40 bilhões entre os Estados. Essa verba é transferida da União por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Mas, o STF decidiu que os critérios de repartição do fundo, que são dos anos 1980, estão desatualizados e, se o Congresso não aprovar novas regras até 31 de dezembro de 2012, será extinto. A decisão do Supremo sobre o FPE foi tomada em fevereiro de 2010 e, até agora, o Congresso não iniciou um debate sobre as novas normas do fundo.
No caso da legislação de greve para o setor público, o atraso é ainda maior. A decisão do Supremo que mandou o funcionalismo seguir a Lei de Greve do Setor Privado é de 2007. Ela foi tomada em meio ao caos aéreo daquele ano e às constantes paralisações dos controladores de voo. Passados mais de quatro anos, o Congresso ainda não aprovou regras para as paralisações do funcionalismo. Há dois projetos de lei em discussão inicial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Gilmar Mendes lembrou que as primeiras decisões do STF alertando o Congresso para a necessidade de aprovar uma Lei de Greve para o funcionalismo foram proferidas ainda nos anos 1980. "No mandado de injunção sobre direito de greve, o tribunal rememorou que as primeiras decisões sobre o assunto eram de 1989", disse. Ou seja, o atraso legislativo, após os alertas do STF, é de mais de 20 anos.
No Congresso, a avaliação é diferente. Não há a interpretação de que a Casa, nesses e em outros casos, atrasa ou desobedece o Judiciário. "O STF pode, no máximo, fazer uma sugestão. Até porque a não deliberação pelo Legislativo é uma decisão da Casa. É consequência de uma correlação de forças por parte de quem tem poder para decidir porque foi eleito para isso", afirmou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que foi presidente da Câmara dos Deputados no biênio 2007-2008.
Ele avaliou ser natural que o STF se sinta mais desembaraçado para tomar algumas decisões polêmicas porque o Congresso "depende do voto, é resultado da representação e da vontade popular". Para ele, o fundamental é sempre buscar o entendimento com as cúpulas dos dois Poderes antes de se partir para críticas ou ataques públicos, por exemplo, pela imprensa. "É isso que leva ao enfrentamento. O que não é um mal em si, mas são escolhas. Eu preferiria, se necessário fosse, mas nunca foi, fazer um registro pessoal ou por escrito", disse Chinaglia.
Um exemplo bem sucedido de entendimento ocorreu neste ano, quando o Congresso aprovou a Lei do Aviso Prévio proporcional poucos meses depois de o Supremo decidir que os trabalhadores mereciam ter prazo superior a 30 dias para o benefício. Em junho, os ministros começaram a discutir critérios para aumentar esse prazo, que sempre foi utilizado pelas empresas a despeito de a Constituição de 1988 dizer que 30 dias é o mínimo. Em outubro, o Congresso aprovou a Lei nº 12.506, que concedeu o máximo de 90 dias de aviso prévio. "Esse caso foi importante porque os parlamentares assumiram questões que o tribunal teria imensa dificuldade para decidir", reconheceu Gilmar Mendes.
Foi em 2011, também, que os parlamentares começaram a debater com mais força meios para restringir os poderes do Supremo. A Comissão de Constituição e Justiça, por exemplo, promoveu o seminário "Separação de Poderes e Segurança Jurídica" para, oficialmente, debater "os limites de competência entre o Legislativo e o Judiciário". Transformou-se, contudo, no palanque para ataques ao ativismo judicial e à chamada "judicialização da política".
O autor do pedido do seminário, Nazareno Fonteles (PT-PI), é o deputado que tem tomado a frente dessas discussões na Casa. São dele as propostas de emenda constitucional que pretendem restringir a atuação do STF ou, em suas palavras, "impedir a grosseira tomada de prerrogativas do Congresso pelo STF".
A sua Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 33 reúne no mesmo texto três alterações substanciais no funcionamento da Corte. Primeiro, somente pelo voto de quatro quintos dos integrantes de qualquer tribunal poderá ser declarada a inconstitucionalidade de lei ou do ato normativo do poder público. Segundo, passaria o Congresso a ter prazo de 90 dias, para deliberar, em sessão conjunta, por maioria absoluta, sobre o efeito vinculante das súmulas publicadas pelo STF. E, em terceiro, as decisões em ações diretas de inconstitucionalidade sobre emendas aprovadas pelo Congresso seriam submetidas à validação pelos parlamentares. O deputado resume as suas propostas na seguinte frase: "O Judiciário não tem esse poder todo. Eles que acabam extrapolando suas funções."
Para Gilmar Mendes, o STF não está sendo ativista ao decidir a respeito de temas que o Congresso se omite e demora a legislar. "A expressão ativismo traduz uma exorbitância. Mas, nós temos que tratar de direitos sociais tão amplos. Então, como dizer que exorbitamos?"
O tribunal já modificou a legislação que trata de pesquisas com células-tronco e regras para a demarcação de terras indígenas. Em ambos os casos, foi utilizada a técnica de proferir uma sentença aditiva - uma decisão que vem com um anexo descrevendo como a lei deve ser cumprida. "Claro que se o Congresso tivesse atendido aos reclames não seria necessária a sentença aditiva", disse Mendes.
Outro tema que preocupa os ministros do STF é a guerra fiscal. O tribunal já decidiu dezenas de vezes que um Estado não pode aprovar incentivos para atrair investimentos que prejudiquem outros. Mesmo assim, Estados continuam concedendo benefícios fiscais em descumprimento ao STF. No limite, o tribunal pode, na falta de uma legislação mais clara contra a guerra fiscal, impor uma orientação geral pondo fim aos incentivos dos Estados. "Daqui a pouco o tribunal vai acabar editando uma solução, pois há falta de política regional negociada", advertiu Gilmar Mendes.
Atualmente, há 35 ações no STF envolvendo incentivos concedidos por Estados em detrimentos de outros. Ao todo, 17 Estados são, ao mesmo tempo, autores e réus nessas ações.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Experiências de um aluno da American University (Washington, DC) na Faculdade de Direito da PUC-Rio


First off, it must be said that since law is considered a graduate course in the US, I had to take classes from the undergraduate schools at AU since I obviously do not have an undergraduate degree yet. So while at AU I decided to take classes I had actual interest in, most of them in the School of International Service.

Here at PUC they have a credit system, similar to the one at AU. This means I get to pick and choose somewhat when in my course when I take both mandatory and optional classes (unless there is a prerequisite, of course). However, the sheer amount of subjects a person has to take in Law School (and, quite frankly, in most o the other Schools, since it's something MEC institutes) makes it pretty much impossible for a student to have the time to take classes they are just interested in. What is even more problematic, the subjects that are mandatory greatly outnumber those that are optional. To put it this way: while at AU a student usually have to do X credits in the School of International Service, for example, with a large amount of subjects to pick from in order to fulfill those credits, at PUC, most of the time, you HAVE to do a specific subject, without which you simply don't graduate. Choosing classes at AU I chose those that I had great interest in. Choosing classes at PUC I basically try to avoid those professors that I know are terrible teachers (and unfortunately there are still many of these at the Law School), and pick whatever fits my schedule. While at AU I took 5 subjects tops per semester (if I took any more I wouldn't be able to keep up), I am currently taking 10 subjects this semester at PUC (and not having that much of an issue keeping up with them, even though I am also part of two research groups and the TA program, and I am working 20 hours a week).
This gets me to your question about the amount of work, which to me is one of the biggest differences. At PUC, it really depends on the professor. Last semester I literally had no homework, all my classes were lectures, and I pretty much studied for them on the eve of the exam and got really good grades. This semester some of the professors give me homework, but they are not nearly as time consuming as at AU. Even when I have homework at PUC, most of it is just writing something, there is no reading. Yeah, the professors may say you have to try to keep up with class by reading one of the manuals, but the truth is that most classes are just lecture classes, there is no dialogue with the class, and I have realized you really don't need to do the reading in order to be in class. At AU, on the order hand, I had readings for every single class. One of the more advanced classes I took had me read a whole book per week. And here is the thing: if you don't do the reading, you can't be in class. You will NOT be able to keep up, and the professors WILL call on you to criticize the reading and discuss. The way the grades are given also reflects that: at AU most of the grades are not exams, but rather papers, participation in class, and essays. At PUC, there is usually no negotiation: midterm and final.
About critical thinking: there are very, very, very few and precious classes at PUC where I was actually challenged to think critically. Most of the professors are not open to criticism of their ideas at all (even when they say they are), and tend to not take students ideas into consideration because, as they see it, "we are just students". There is a deeply ingrained culture in Brazil to this day of authoritarianism, and it contaminates the classroom. I can count on the fingers of one hand (and I have been here for five and a half years) the professors I have met and studied under at PUC who legitimately respect and take into consideration students ideas, and who give students the space to think critically about the law, the books and articles we read, or even the professor's own ideas. At AU, most (if not all) of the classes I took were discussion based, in a "Socratic" method. As I said, if we didn't do the reading, we couldn't keep up. The idea was for students to do the reading and challenge each other, to argue, discuss, and build ideas together in a critical way. One would think THIS was what law school is all about, but unfortunately most of my classes have been lecture-based, with the professor reading what the law says, telling us what the courts have decided (and even this is not usually done that much), and how the main authors interpret that law. If there are different point of views about the Law, professors will explain both of them to us. And that's it. We have to listen, write it down, write that on our exams and, by magic, you WILL get a 10. I cannot possibly tell you how frustrating that is to me. We are creating a legal culture that does not think critically about the law. And that is VERY, very dangerous, in my view.
I have to give PUC credit for one thing: the opportunities offered in Law School out of class, like research grants, the Teacher Assistant program, and the different law centers (Human Rights Center, Constitutional Law Center, and Environmental Law Center). These programs give the students who seek them amazing opportunities to do just that critical thinking in an academic environment. I have been involved with all of these centers and programs I mentioned before at one time or another during my time at school (as I said, five and a half years!), and the experience has been extraordinary. At PUC I have participated in Moot Court competitions, took part in critical thinking groups that discussed Human Rights, Freedom of Speech, Environmental Law, and have even taught a couple of classes as a TA. These activities have led me to where I am right now, in both my career and academic life, and I am grateful for them.
However, ever since I came back from the Abroad program, I have been increasingly frustrated with my school, and that's why I feel Flora's piece spoke to me so much, and I did tend to agree with her in most of it. It shouldn't take an outsider to tell us what the problems in our education system are for us to notice them, and I really feel like it's time for Brazilian students to sit down and have an honest conversation about it. I feel like both students and professors have so much room to grow academically and in their relationships, so I feel like not just the school NEEDS to step up when it comes to what they search for in professors, but also in students. A conversation would be a first step.
A disclaimer: I speak from my experiences alone, both in the Law School of PUC (so I can't speak for PUC in general, though I have heard similar reports from friends who take other courses), and in the AU Abroad program.